Fachin envia pedido de Moraes à PGR antes de sessão sobre o Banco Master
Edson Fachin encaminha à PGR pedido de Alexandre de Moraes para levantar sigilo de processo do Banco Master antes da sessão do STF.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre documentos sigilosos relacionados ao caso Banco Master. A decisão foi tomada no domingo, 13 de setembro, dois dias antes da sessão extraordinária marcada pelo tribunal.
Moraes solicitou o levantamento do sigilo de um processo que está sob relatoria do ministro André Mendonça. Segundo o pedido, o conteúdo reúne informações consideradas importantes para a análise de um procedimento que envolve conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Em vez de autorizar ou rejeitar imediatamente a solicitação, Fachin determinou que a PGR apresente manifestação sobre o assunto. A medida mantém em aberto a definição sobre quais documentos poderão ser consultados antes do julgamento previsto para 15 de setembro.
O que Moraes pediu a Fachin
O pedido de Alexandre de Moraes está relacionado a um procedimento que permanece sob sigilo e que, segundo o ministro, contém elementos relevantes para o julgamento marcado pelo STF.
A solicitação ocorre em meio à discussão sobre a quantidade de informações que deverá estar disponível aos integrantes da Corte antes da sessão. Parte dos documentos do chamado caso Master já teve o sigilo retirado, mas outros procedimentos continuam com acesso restrito.
Moraes argumentou que o processo mantido sob sigilo possui elementos que seriam necessários para a análise do caso envolvendo as conversas atribuídas a ele e a Daniel Vorcaro.
Fachin, porém, optou por consultar a Procuradoria antes de tomar uma decisão definitiva. De acordo com o despacho divulgado, o processo mencionado por Moraes não estava incluído na relação de procedimentos que a própria PGR havia indicado anteriormente como passíveis de divulgação.
Por que a PGR foi chamada a se manifestar
A manifestação da Procuradoria-Geral da República poderá ajudar a definir se o processo solicitado por Moraes tem relação direta com o objeto da sessão de 15 de setembro.
A PGR já havia defendido anteriormente que os ministros do STF tivessem acesso amplo aos elementos necessários para formar uma posição sobre o caso Banco Master. O órgão também pediu a retirada de sigilo de documentos considerados relevantes para a análise do processo.
No novo despacho, Fachin não antecipou sua decisão sobre o pedido de Moraes. O presidente do STF determinou apenas que a Procuradoria avalie a questão com brevidade.
Na prática, a medida deixa a decisão final sobre a publicidade do processo para uma etapa posterior à manifestação do Ministério Público.
O que está previsto para a sessão do STF
O STF marcou para 15 de setembro uma sessão extraordinária do plenário para analisar um procedimento relacionado ao relatório produzido pela Polícia Federal sobre conversas entre Moraes e Vorcaro.
O material passou a fazer parte da crise envolvendo as investigações do Banco Master depois que documentos e informações extraídos do celular do empresário chegaram ao Supremo.
Entre os pontos que deverão ser considerados está a validade dos elementos reunidos e a possibilidade de abertura de uma investigação específica envolvendo Moraes. Também existe um pedido da PGR relacionado à validade de procedimentos conduzidos anteriormente.
A análise do STF não significa que qualquer irregularidade tenha sido comprovada. O plenário deverá avaliar os elementos disponíveis e decidir os próximos passos processuais.
Caso Master envolve disputa sobre acesso às provas
A discussão sobre o pedido de Moraes acontece paralelamente a uma disputa maior sobre o acesso aos documentos do Banco Master.
Nos últimos dias, ministros do STF solicitaram acesso a informações que permaneciam protegidas por sigilo. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes estão entre os integrantes da Corte que defenderam o acesso aos dados completos relacionados ao celular de Vorcaro.
A Polícia Federal também entregou cópias do conteúdo extraído do aparelho a gabinetes de ministros, seguindo pedidos formais e procedimentos destinados a preservar a cadeia de custódia do material.
A questão ganhou importância porque os ministros precisam analisar os elementos que poderão influenciar a decisão do plenário.
Fachin tenta organizar os procedimentos
A atuação de Edson Fachin ocorre depois de uma série de decisões envolvendo diferentes ministros e processos ligados ao Banco Master.
O presidente do STF determinou que procedimentos envolvendo possíveis investigações de integrantes da própria Corte fossem encaminhados à Presidência do tribunal. Também assumiu a condução do caso relacionado a Moraes e Vorcaro.
A decisão buscou evitar sobreposição entre procedimentos e diferentes relatorias. Fachin também manteve separadas as análises relacionadas a Moraes e Mendonça, com datas distintas para o julgamento.
O caso envolvendo Moraes ficou previsto para 15 de setembro, enquanto outro procedimento relacionado a Mendonça foi marcado para 23 de setembro.
O que a PGR deverá analisar
Agora, a PGR deverá avaliar o pedido de Moraes e informar ao STF se entende que o processo sigiloso deve ter o acesso ampliado.
A Procuradoria precisará considerar a relação do material com o objeto da sessão e os possíveis impactos da divulgação sobre investigações que ainda estejam em andamento.
Essa avaliação ocorre depois de a própria PGR defender maior transparência no caso Master. O órgão havia argumentado que os ministros deveriam conhecer previamente os dados necessários para formar seu entendimento sobre a questão submetida ao plenário.
Ao mesmo tempo, a preservação de determinados sigilos pode ser necessária quando a divulgação de informações tiver potencial para prejudicar diligências em andamento.
Próximos passos antes do julgamento
A manifestação da PGR será o próximo passo no pedido apresentado por Alexandre de Moraes. Depois disso, caberá a Fachin decidir se o conteúdo deverá ter o sigilo levantado ou se permanecerá restrito.
A decisão poderá ocorrer antes da sessão de 15 de setembro, quando o plenário do STF analisará o procedimento relacionado às conversas entre Moraes e Vorcaro.
O debate sobre o acesso aos documentos mostra que, além do conteúdo do relatório da Polícia Federal, a forma como as provas e informações serão disponibilizadas aos ministros também se tornou uma questão central no caso Banco Master.
Até o momento, não há decisão definitiva sobre o pedido de Moraes. A PGR ainda deverá apresentar seu posicionamento, e Fachin será responsável por decidir sobre a liberação do processo solicitado. O plenário, por sua vez, deverá analisar os elementos relacionados ao caso na sessão extraordinária já marcada para 15 de setembro.
