Marco Rubio nega envolvimento dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano não participou dos preparativos para a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Atlanta e ocorreu após a viagem do parlamentar para os Estados Unidos provocar questionamentos políticos.
O episódio ganhou repercussão porque relatos publicados pela imprensa apontaram que pessoas próximas ao presidente Donald Trump teriam ajudado a organizar o transporte utilizado pelo senador. A situação também chegou ao Congresso americano, onde parlamentares democratas pediram explicações sobre uma possível participação de autoridades dos Estados Unidos.
Marco Rubio esclarece posição do governo americano
Ao ser questionado sobre o caso, Rubio negou que os Estados Unidos tenham facilitado a saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro.
A manifestação procura esclarecer a atuação da administração de Donald Trump em um episódio que envolve relações políticas entre os dois países. A negativa do secretário, porém, não encerra todas as dúvidas sobre as circunstâncias da viagem.
Isso porque existem relatos sobre a participação de aliados políticos de Trump na organização do deslocamento. É importante diferenciar uma eventual iniciativa de pessoas próximas ao presidente de uma operação oficialmente conduzida pelo governo americano.
Aliados de Donald Trump aparecem nos relatos sobre a viagem
Entre os nomes citados nas informações divulgadas pela imprensa está Jason Miller, assessor de comunicação e aliado de Donald Trump.
Segundo esses relatos, Miller teria ajudado a viabilizar um avião particular para transportar Flávio Bolsonaro da Argentina até a Flórida. Eduardo Bolsonaro também aparece nas informações sobre os contatos relacionados à organização da viagem.
Até agora, essas referências não demonstram, por si só, que funcionários do governo dos Estados Unidos tenham participado oficialmente da logística. A declaração de Rubio representa justamente uma negativa de envolvimento direto da administração americana.
Parlamentares democratas cobram explicações
A controvérsia ultrapassou o debate político brasileiro e chegou ao Congresso dos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem, um grupo de 25 parlamentares democratas encaminhou uma carta ao Departamento de Estado solicitando esclarecimentos sobre a possível participação de integrantes do governo na viagem.
Os congressistas querem saber se funcionários americanos mantiveram contato com Flávio, seus familiares ou integrantes de sua equipe para tratar dos preparativos.
Entre os pontos levantados estão:
- Possível participação de representantes diplomáticos;
- Eventual envolvimento de autoridades na emissão de vistos;
- Utilização de recursos públicos para facilitar o deslocamento;
- Conhecimento do governo americano sobre as restrições judiciais existentes no Brasil.
A carta estabeleceu 13 de novembro como prazo para o envio das respostas, conforme as informações publicadas pelo QPO Agora.
Autorização de entrada nos Estados Unidos é outro ponto
Outro aspecto mencionado na reportagem envolve a entrada de Flávio Bolsonaro e de seus familiares em território americano.
Segundo as informações divulgadas, Donald Trump teria autorizado a entrada do senador e de seus parentes, que chegaram à região de Miami na quarta-feira.
Esse ponto é diferente da organização da saída do Brasil. Uma questão envolve a possível participação de autoridades na logística da viagem; outra diz respeito à autorização para que os passageiros entrem nos Estados Unidos.
A distinção é importante para compreender o alcance da declaração de Marco Rubio, que negou a participação do governo americano nos preparativos para a saída do parlamentar.
Caso também envolve relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos
A repercussão ocorre em um momento de atenção sobre as relações entre Brasília e Washington.
Durante um encontro de representantes do G20 em Atlanta, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou brevemente com Marco Rubio. Segundo a reportagem, os dois concordaram em realizar uma reunião bilateral nas semanas seguintes.
O assunto envolvendo Flávio Bolsonaro, entretanto, não teria sido tratado naquele contato.
A eventual reunião poderá abrir espaço para outros temas da relação entre os países, mas não há confirmação de que o caso da viagem esteja na pauta.
O que pode acontecer agora?
O próximo desdobramento importante é a resposta do Departamento de Estado aos questionamentos apresentados pelos parlamentares democratas.
As informações solicitadas poderão ajudar a esclarecer se houve contato de funcionários públicos americanos com pessoas ligadas ao senador e se algum recurso oficial foi utilizado durante os preparativos.
Por enquanto, Marco Rubio nega a participação direta do governo dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Os relatos sobre a atuação de aliados de Donald Trump e os questionamentos no Congresso americano mantêm o episódio em evidência.
A divulgação de novas informações poderá esclarecer melhor como a viagem foi organizada e qual foi a participação de cada envolvido.
