Bolsonaro pede encontro com Marinho e Tereza Cristina em meio à disputa pelo Senado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para receber os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar.
A solicitação foi apresentada pela defesa e ocorre em um momento de movimentação política em Brasília. Os dois parlamentares estão envolvidos na disputa pela Presidência do Senado Federal, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027.
O pedido chama atenção porque Marinho e Tereza Cristina são nomes que buscam espaço para comandar a Casa legislativa. Apesar de integrarem o mesmo campo político em diferentes pautas, os dois ainda não chegaram a uma definição pública sobre qual candidatura terá prioridade.
A realização dos encontros depende de autorização judicial, já que Bolsonaro precisa cumprir as condições estabelecidas pelo STF durante a prisão domiciliar.
Defesa sugere dias para os encontros
No pedido encaminhado ao Supremo, os advogados solicitaram que as visitas aconteçam em datas a serem definidas pelo ministro Alexandre de Moraes.
A defesa indicou preferência pelas terças, quartas ou quintas-feiras, além de afirmar que serão respeitadas as regras de entrada, fiscalização e segurança estabelecidas para a residência do ex-presidente.
A solicitação não significa que as visitas já estejam autorizadas. Cabe a Moraes analisar o pedido e estabelecer se os encontros poderão ocorrer e em quais condições.
O conteúdo das conversas também não foi divulgado oficialmente. Embora o momento político permita relacionar a solicitação à sucessão no Senado, não há confirmação de que Bolsonaro tenha definido algum acordo ou escolhido um dos dois parlamentares para apoiar.
A solicitação acontece um dia depois de o Partido Liberal oficializar Rogério Marinho como candidato à Presidência do Senado.
O senador do Rio Grande do Norte é líder da oposição na Casa e foi ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo Bolsonaro. Ele também participou da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.
O PL pretende reunir apoio de parlamentares de diferentes partidos para disputar o comando do Senado. A legenda deverá contar com uma das maiores bancadas da próxima legislatura, o que representa um ponto importante nas negociações.
Marinho busca construir uma aliança capaz de enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também trabalha para permanecer no cargo.
A disputa não envolve apenas a escolha de um nome para conduzir as sessões. O presidente do Senado possui influência sobre a organização dos trabalhos legislativos e a tramitação de diferentes assuntos de interesse político.
Tereza Cristina também mantém interesse na Presidência
A senadora Tereza Cristina é outro nome que aparece nas articulações para a sucessão no Senado.
Ex-ministra da Agricultura durante o governo Bolsonaro, ela mantém a intenção de disputar o comando da Casa e já declarou publicamente que deseja se tornar a primeira mulher a ocupar a Presidência do Senado.
A candidatura de Tereza cria um desafio para os grupos que tentam construir uma alternativa única a Davi Alcolumbre. Caso Marinho e a senadora mantenham candidaturas separadas, os votos de parlamentares contrários à continuidade do atual presidente poderão ficar divididos.
Os dois senadores, entretanto, já indicaram que estão conversando sobre a possibilidade de um entendimento.
Entre as alternativas discutidas está a construção de um acordo político para evitar que disputem diretamente um contra o outro. Uma das possibilidades mencionadas nas articulações é uma alternância no comando da Casa em diferentes períodos, mas não existe confirmação de um acordo definitivo.
Davi Alcolumbre também articula sua permanência
Enquanto Rogério Marinho e Tereza Cristina buscam apoio, Davi Alcolumbre trabalha para conquistar votos suficientes para continuar na Presidência do Senado.
O parlamentar do União Brasil mantém diálogo com diferentes partidos e possui interlocução com integrantes do governo federal.
A eleição interessa a grupos políticos de diferentes orientações porque o presidente do Senado exerce papel importante na definição da agenda legislativa e na condução dos trabalhos da instituição.
Também está em discussão a relação entre o Senado, o governo e o Supremo Tribunal Federal. Setores da oposição defendem uma atuação mais incisiva da Casa em relação a decisões de ministros da Corte, enquanto apoiadores de Alcolumbre destacam sua capacidade de negociação com diferentes grupos.
A escolha do próximo presidente será feita pelos próprios senadores, e as declarações públicas de apoio não garantem necessariamente o voto de cada parlamentar.
Por que a visita de Bolsonaro pode ter importância política?
Jair Bolsonaro continua sendo uma referência para parte dos parlamentares ligados ao PL e a outros setores conservadores.
Por isso, uma eventual conversa com Rogério Marinho e Tereza Cristina pode ter relevância nas articulações que antecedem a eleição do Senado.
O encontro também permitiria que o ex-presidente acompanhasse de perto as negociações envolvendo dois políticos que fizeram parte de seu governo.
Entretanto, é importante separar o contexto político do conteúdo efetivo da solicitação. Até o momento, não há informação oficial de que Bolsonaro tenha determinado a retirada de uma candidatura, escolhido um representante ou fechado um acordo entre os senadores.
O que está confirmado é que sua defesa pediu autorização para os encontros e que a realização das visitas depende da análise de Alexandre de Moraes.
Quando será escolhida a Presidência do Senado?
A eleição para a Presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares escolherão a nova Mesa Diretora da Casa.
Até lá, os candidatos deverão intensificar conversas com senadores de diferentes partidos em busca de apoio.
A disputa envolve Rogério Marinho, Tereza Cristina e Davi Alcolumbre, além das negociações para a formação de alianças.
A possível reunião de Bolsonaro com os dois senadores acrescenta mais um capítulo às articulações políticas. No entanto, o cenário ainda está em construção, e as definições dependerão dos acordos entre os parlamentares e dos votos na eleição.
O pedido apresentado ao STF mostra que Bolsonaro pretende manter contato com lideranças envolvidas na disputa pelo comando do Senado. Se Moraes autorizar os encontros, as conversas poderão acontecer em um momento importante para a definição das candidaturas e das alianças que serão levadas à votação de fevereiro.
