Flávio Bolsonaro aciona novamente o TSE contra Lula por supostas irregularidades nas redes sociais
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou uma nova ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido foi protocolado na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, e aponta possíveis irregularidades na comunicação digital durante a campanha eleitoral.
Segundo a equipe de Flávio, teria existido uma estrutura organizada para ampliar a circulação de mensagens favoráveis a Lula e de publicações críticas ao adversário. A acusação envolve anúncios pagos, páginas nas redes sociais e mobilizações de usuários em diferentes plataformas digitais.
A iniciativa acrescenta mais um capítulo à disputa judicial entre as campanhas, às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro.
Campanha aponta milhares de anúncios nas redes
Na ação, a equipe de Flávio Bolsonaro afirma ter identificado 6.606 anúncios classificados como propaganda negativa contra o candidato do PL. De acordo com os dados apresentados pela própria campanha, os gastos relacionados a essas publicações ficariam entre R$ 1,54 milhão e R$ 2,49 milhões.
O documento também menciona que 1.818 desses anúncios teriam sido removidos pelas plataformas digitais. Outro ponto levantado é a existência de 53 páginas cujos responsáveis, segundo a petição, não teriam sido identificados. Essas páginas estariam associadas a 4.625 anúncios.
A campanha ainda questiona pagamentos registrados em diferentes moedas, incluindo reais, dólares e pesos colombianos. Para os autores da ação, essas informações justificariam uma investigação sobre a origem dos recursos e a possível coordenação das publicações.
Os números e as interpretações fazem parte da argumentação apresentada ao tribunal. Por si só, eles não comprovam a ocorrência de irregularidades eleitorais.
Ação também cita mobilização por hashtags
Outro ponto destacado pela equipe jurídica envolve a mobilização de apoiadores nas redes sociais entre os dias 8 e 21 de outubro.
Segundo a petição, foram identificadas 130 chamadas públicas direcionadas a eleitores de Lula. A campanha também afirma que 55 das 66 hashtags mencionadas no documento apareceram entre os assuntos mais populares do país em algum momento do período analisado.
A partir desses dados, a equipe de Flávio sustenta que as publicações poderiam fazer parte de uma estratégia coordenada de comunicação política. A alegação deverá ser examinada conforme as regras e os procedimentos da Justiça Eleitoral.
A utilização de hashtags, anúncios e publicações compartilhadas, entretanto, não caracteriza automaticamente uma infração. A avaliação depende das circunstâncias, das provas apresentadas e da legislação aplicável.
O que Flávio Bolsonaro pede ao TSE
A campanha solicita que a Justiça Eleitoral adote medidas para interromper as condutas apontadas, avaliar a eventual necessidade de retirar conteúdos e preservar registros digitais relacionados às alegações.
A preservação de provas pode ser relevante para uma investigação porque permite que informações sobre anúncios, páginas e publicações sejam examinadas durante a tramitação do processo.
O TSE deverá analisar os pedidos conforme o procedimento judicial correspondente. A apresentação de uma ação não significa que o tribunal tenha reconhecido as acusações como verdadeiras nem que tenha determinado automaticamente as medidas solicitadas.
Disputa judicial se intensifica antes do segundo turno
A nova iniciativa ocorre em meio a uma sequência de questionamentos judiciais envolvendo as campanhas presidenciais. Em 14 de outubro, a Agência Brasil noticiou outra ação da equipe de Flávio contra publicações de parlamentares, artistas e organizações que apoiam Lula. Na ocasião, o caso também dependia da análise da Justiça Eleitoral.
A campanha de Lula, por sua vez, também apresentou ações contra a chapa de Flávio Bolsonaro. Em reportagem publicada em 21 de outubro, a Agência Brasil informou que os advogados do presidente alegaram abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação em relação à campanha adversária.
Essas iniciativas mostram que a atuação nas redes sociais e os limites da propaganda eleitoral estão entre os pontos de conflito jurídico da disputa. Cada processo, porém, precisa ser analisado individualmente, com oportunidade de manifestação das partes envolvidas.
O que acontece agora
O próximo passo é a análise dos pedidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, que poderá determinar as providências processuais cabíveis. O resultado dependerá do conteúdo da ação, das provas disponíveis e das decisões tomadas pelos responsáveis pelo caso.
Até que haja uma decisão sobre as alegações específicas, é necessário tratar as acusações como alegações da campanha de Flávio Bolsonaro, e não como irregularidades comprovadas.
Acompanhar as decisões oficiais do TSE é a forma mais segura de verificar se haverá determinação para retirada de conteúdos, preservação de provas ou outras medidas relacionadas ao processo.
