PT pede ao STF investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições
O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu nesta quarta-feira (23) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação pela Polícia Federal para apurar possíveis episódios de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. A solicitação foi encaminhada ao ministro Flávio Dino, relator da ADPF 1.178.
Na manifestação, o partido afirma que é necessário investigar a eventual origem estrangeira de recursos, serviços e publicidade que possam ter sido utilizados para beneficiar uma candidatura. O pedido também envolve a preservação de registros digitais e financeiros e a identificação de possíveis financiadores e beneficiários.
O documento apresentado pelo PT menciona principalmente situações que, segundo a própria legenda, precisam ser esclarecidas e que envolvem ações favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). É importante destacar que a existência das suspeitas apresentadas pelo partido não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas. A investigação solicitada teria justamente a finalidade de verificar a origem dos recursos e a eventual existência de ilícitos.
O que o PT pediu ao STF
Entre os pedidos apresentados está a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, além da adoção de medidas para preservar documentos, registros digitais e informações financeiras que possam ajudar a esclarecer a origem de eventuais recursos utilizados nas ações citadas.
O partido também solicitou que a decisão já existente na ADPF 1.178 seja complementada para deixar explícito que eventuais ações de origem estrangeira capazes de afetar o processo eleitoral brasileiro também estejam abrangidas.
A manifestação foi encaminhada diretamente ao ministro Flávio Dino, que é o relator do processo no STF. O PT também busca participar da ação na condição de amicus curiae, instrumento que permite a participação de terceiros interessados em processos que envolvem questões relevantes.
Anúncios pagos no exterior são citados
Um dos pontos mencionados pelo PT envolve anúncios publicados no exterior em perfis da rede social X com conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro.
Segundo a petição, algumas dessas publicações foram feitas entre os dias 18 e 21 de setembro. O partido afirma que não conseguiu identificar quem teria financiado os anúncios e pede que essa origem seja investigada.
Outro aspecto citado envolve publicações relacionadas à plataforma Polymarket, cujos resultados teriam sido utilizados em conteúdos sobre o desempenho eleitoral do candidato.
Há, porém, uma diferença importante entre a existência de publicidade paga e a comprovação de uma irregularidade eleitoral. Conforme reportado pelas fontes consultadas, o fato de uma publicação ser patrocinada não comprova, por si só, financiamento estrangeiro de uma candidatura. A origem do dinheiro utilizado é justamente um dos pontos que o pedido do PT pretende esclarecer.
Rockbridge Network também aparece no pedido
A petição cita ainda a Rockbridge Network, organização norte-americana mencionada pelo PT em relação a possíveis ações de apoio político no Brasil.
O partido pretende que sejam esclarecidos eventuais contatos, recursos e relações que possam ter ligação com ações destinadas a beneficiar uma candidatura. As referências à organização aparecem no contexto das suspeitas apresentadas pela legenda e não representam, por si só, uma comprovação de financiamento irregular.
Também são mencionados conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento que teriam sido disponibilizados para a Academia da Direita, plataforma ligada ao PL. O PT pede que as relações financeiras e operacionais relacionadas a esses episódios sejam verificadas.
Pedido envolve rastreamento de recursos
Outro objetivo apresentado pelo partido é identificar a eventual cadeia de financiamento das ações citadas.
Para isso, o PT pede acesso e preservação de contratos, comprovantes de pagamento e registros de plataformas. A intenção declarada é descobrir quem eventualmente financiou determinadas iniciativas, quem intermediou os recursos e quem teria sido beneficiado.
O coordenador jurídico da campanha, Angelo Ferraro, afirmou que a investigação deveria esclarecer a origem dos recursos e preservar provas relacionadas às suspeitas apresentadas pela legenda.
Além do pedido encaminhado ao STF, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, apresentando acusações relacionadas a possível interferência estrangeira e a supostos abusos no contexto eleitoral.
O que acontece agora
O pedido apresentado ao STF ainda representa uma solicitação de investigação. Portanto, os fatos citados pelo PT precisam ser diferenciados de eventuais conclusões que possam surgir posteriormente de uma apuração oficial.
Caso a investigação seja instaurada, a Polícia Federal poderá analisar registros financeiros, contratos, publicidade digital e outras informações que eventualmente sejam disponibilizadas às autoridades, conforme as medidas autorizadas judicialmente.
O episódio ocorre durante a campanha para as eleições de 2026 e em um momento de atenção sobre possíveis ações estrangeiras relacionadas à disputa eleitoral. O tema também foi abordado pelo presidente Lula em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, um dia antes do pedido apresentado pelo PT ao STF.
O que se sabe até o momento
O PT pediu ao STF a abertura de investigação da Polícia Federal para apurar possíveis episódios de interferência estrangeira nas eleições de 2026. O pedido foi direcionado ao ministro Flávio Dino e cita anúncios pagos no exterior, possíveis conexões financeiras e outras ações que, segundo o partido, precisam ser esclarecidas.
As suspeitas apresentadas na petição ainda não equivalem a irregularidades comprovadas. A eventual investigação é que poderá determinar a origem dos recursos, identificar responsáveis e verificar se houve alguma violação da legislação eleitoral.
Próximo passo: a análise do pedido pelo STF e as eventuais medidas que poderão ser determinadas no processo.
